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Golpe do Pix: os tipos mais comuns e como se proteger

Falsa venda, falsa central e WhatsApp lideram os golpes relatados aos bancos, diz a Febraban. Veja como cada um funciona e as defesas do Pix e do Banco Central.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Idosas usam o celular durante curso de tecnologia para a terceira idade em São José do Rio Preto (SP), em janeiro de 2025
Foto: Marcos Morelli/Pref. Rio Preto / Flickr (CC BY 2.0). Foto original, CC BY 2.0

Os golpes do Pix mais comuns são a falsa venda, a falsa central do banco e o golpe pelo WhatsApp, segundo a Febraban. Todos usam o mesmo truque: convencer você a fazer o Pix com pressa.

O Pix em si não foi invadido. O que os criminosos exploram é a engenharia social, a manipulação psicológica para que a própria vítima entregue dados ou faça a transferência. Abaixo estão os golpes que mais aparecem nos relatos aos bancos, os sinais de alerta de cada um e as proteções oficiais que você pode ativar hoje.

Quais golpes mais fazem vítimas no Pix?

No primeiro semestre de 2025, os clientes dos bancos associados relataram 174 mil casos de falsa venda, alta de 314% sobre o mesmo período de 2024, segundo levantamento da Febraban. Em segundo lugar ficou a falsa central ou falso funcionário de banco, com 139 mil relatos (alta de 195,7%). O golpe do WhatsApp veio em terceiro, com 73 mil casos, queda de 9,9%.

Completam a lista da Febraban o falso investimento, o phishing, o falso boleto, a troca de cartão, a devolução de empréstimo, a mão fantasma e o golpe do delivery. Nem todos usam o Pix, mas boa parte termina em uma transferência para a conta do criminoso.

Golpe da falsa venda: a loja que não existe

O criminoso cria uma página que imita loja virtual ou um perfil falso em rede social e divulga promoções por e-mail, SMS e WhatsApp. O pagamento por Pix é pedido com urgência, e o produto nunca chega.

A Febraban aponta os sinais de alerta: preço muito abaixo do mercado (um item de R$ 1.000 anunciado por R$ 300), pressão para fechar a compra, poucas opções de pagamento e loja recém-criada em rede social. Os sites falsos de leilão seguem o mesmo roteiro; antes de pagar, confira o CNPJ do leiloeiro e desconfie de conta de pessoa física.

Falsa central e falso funcionário do banco

O golpista liga ou manda mensagem fingindo ser do banco e diz que há movimentação suspeita ou cadastro irregular. Em uma versão comum descrita pela Febraban, um SMS falso pede que você ligue para um "0800", e ali a vítima é levada a digitar dados e senha.

Com acesso ao extrato, o criminoso cita operações reais para ganhar confiança e pede Pix para "cancelar" ou "estornar" transferências. A regra da Febraban é clara: banco nunca pede Pix de teste, estorno por transferência ou senha por telefone. Desligue e ligue você mesmo, de outro aparelho, para o número oficial. O passo a passo completo está no guia do golpe da falsa central do banco.

Golpe do WhatsApp e do falso parente

Há duas versões. Na primeira, o golpista pede o código de seis dígitos que o WhatsApp envia por SMS, fingindo ser atendimento de loja ou empresa, e assume a sua conta para pedir dinheiro aos seus contatos. Na segunda, ele usa a sua foto em um número novo e diz que trocou de telefone.

Nos dois casos, o pedido vem com urgência: conta para pagar, acidente, problema inesperado. A Febraban recomenda ativar a verificação em duas etapas no WhatsApp e não fazer Pix antes de falar com a pessoa por outro meio. Veja como agir no guia do golpe do falso parente no WhatsApp.

Mão fantasma: o app que entrega o seu celular

Aqui o falso funcionário diz que a conta foi invadida e envia um link para instalar um aplicativo que "resolve o problema". Segundo a Febraban, o app é um programa malicioso que dá ao criminoso acesso ao que está no celular, incluindo o app do banco.

O banco não liga nem manda mensagem pedindo para instalar aplicativo. Se isso acontecer, desconfie na hora, desligue e procure o banco pelos canais oficiais.

Falso comprovante e devolução de empréstimo

Dois golpes invertem os papéis. No do falso comprovante, o comprador mostra um recibo de Pix forjado por aplicativo, e o vendedor entrega o produto sem o dinheiro ter caído. A Febraban orienta conferir no extrato se o valor entrou antes de entregar qualquer coisa.

No da devolução de empréstimo, o golpista contrata um crédito em seu nome, com depósito na sua conta, e depois liga pedindo que você "devolva" o valor por Pix ou boleto. Se o banco precisar de uma devolução, ela é feita pelos canais oficiais da instituição, nunca para chave de desconhecido.

Os golpes do Pix em uma tabela

Golpe Sinal de alerta O que fazer
Falsa venda Preço muito abaixo do mercado e pressa Pesquisar a loja e preferir sites conhecidos
Falsa central Pedido de Pix, senha ou "teste" por telefone Desligar e ligar para o número oficial
WhatsApp e falso parente Número novo pedindo dinheiro com urgência Falar com a pessoa antes de pagar
Mão fantasma Link para instalar app enviado por "funcionário" Não instalar e procurar o banco
Falso comprovante Recibo enviado antes do dinheiro cair Conferir o extrato antes de entregar
Devolução de empréstimo Pedido para devolver crédito que você não pediu Tratar só pelos canais oficiais do banco

Proteções que você pode ativar agora

Três ajustes reduzem o prejuízo mesmo se um golpe der certo. O primeiro é baixar o limite do Pix, principalmente à noite. Os prazos para mudar estão no guia dos limites do Pix para a noite e para valores.

O segundo é a verificação em duas etapas no WhatsApp, recomendada pela Febraban. O terceiro é o BC Protege+, serviço gratuito do Banco Central lançado em 1º de dezembro de 2025. Com ele ativado, nenhum banco pode abrir conta no seu CPF sem que você desative a proteção antes, o que dificulta o uso do seu nome em contas de golpe. O acesso é pelo Meu BC, com conta gov.br prata ou ouro e verificação em duas etapas.

Caí no golpe. O que fazer primeiro?

Conteste o Pix no mesmo dia, pelo botão do MED no app do seu banco, disponível desde 1º de outubro de 2025. Segundo o Banco Central, a contestação é repassada na hora ao banco do golpista, que deve bloquear o que houver na conta; se o caso for confirmado, a devolução sai em até 11 dias.

O prazo máximo é de 80 dias depois do Pix, mas cada hora conta, porque a devolução depende de saldo. O passo a passo está no guia do MED do Pix. Pelas regras do BC, o MED não cobre Pix enviado por engano, arrependimento ou desacordo comercial com vendedor que não cometeu fraude.

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