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Golpe da falsa central do banco: como funciona e como não cair

Na falsa central, o golpista finge ser do banco e pede senha, Pix ou app. Veja como o golpe funciona, o que o banco nunca pede e o que fazer se você caiu.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges

Atendente com fone de ouvido trabalha numa central de atendimento telefônico
Foto: MÁV Zrt. / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0). Arquivo original, CC BY-SA 3.0

No golpe da falsa central, alguém liga fingindo ser do seu banco e pede senha, Pix ou um app no celular. A Febraban é clara: o banco nunca pede isso. A saída é desligar e ligar você.

O roteiro muda de roupa, mas a lógica é sempre a mesma: criar urgência e medo para você agir sem pensar. Abaixo estão as versões mais comuns, o que o banco de verdade faz numa ligação e o passo a passo se o dinheiro já saiu.

Como o golpe da falsa central começa

Segundo a Febraban, o fraudador entra em contato se passando por funcionário do banco ou de uma empresa com a qual a vítima tem relação. Ele diz que a conta foi invadida, clonada ou que houve uma compra estranha, e a partir daí pede dados pessoais e financeiros.

Mesmo que a pessoa diga seu nome ou o banco em que você tem conta, isso não prova nada. O que denuncia o golpe é o pedido que vem depois: senha, código, transferência ou instalação de aplicativo.

Por que o número na tela parece ser do banco?

Porque o número pode ser falsificado. A Anatel explica que a falsificação de números, chamada de spoofing, se tornou comum com as redes digitais e passou a facilitar a aplicação de golpes. O visor mostra um número conhecido, mas quem liga é outra pessoa.

Por isso, ver o número da central do banco na tela não é garantia de nada. A Febraban informa que envia à Anatel uma relação de telefones usados no golpe da falsa central, que é repassada às operadoras para bloqueio, mas novos números aparecem o tempo todo.

O que o banco nunca pede numa ligação

A Febraban informa que os bancos podem ligar para confirmar transações suspeitas. Nessas ligações, porém, nunca pedem:

  • senha, token ou código de segurança;
  • dados pessoais ou número completo do cartão;
  • atualização de sistema ou instalação de aplicativo;
  • transferência, Pix ou qualquer pagamento para "regularizar" a conta;
  • estorno de transação feito por telefone;
  • o seu cartão de volta, nem mandam alguém buscá-lo.

O Banco Central vai além e lembra que não pede senhas nem dados bancários e só liga para quem entrou em contato antes com ele. Se alguém disser que fala "do Banco Central", desconfie na hora.

As variações mais comuns do golpe

A Febraban descreve várias versões do mesmo truque. Todas terminam com você entregando dinheiro ou acesso à conta:

  • URA falsa: uma gravação imita o atendimento automático do banco, fala de uma compra aprovada ou de um Pix suspeito e pede para digitar uma opção, que leva a um falso atendente.
  • SMS com 0800: a mensagem avisa sobre uma compra alta e manda ligar para um 0800, que é do golpista. Veja como reconhecer o golpe do link falso por SMS.
  • Conta segura: o golpista diz que um funcionário do banco está fraudando sua conta e manda transferir o saldo para uma "conta segura", que é dele.
  • Mão fantasma: pede para instalar um aplicativo que daria acesso remoto ao celular.
  • Falso motoboy: pede a senha, manda cortar o cartão sem danificar o chip e envia alguém para buscá-lo.

Na versão da conta segura, a Febraban alerta que o criminoso chega a orientar a vítima a mentir para o banco, dizendo que a transferência é um investimento, caso o banco ligue para confirmar. Qualquer orientação desse tipo é sinal de golpe.

O que fazer durante uma ligação suspeita

A regra da Febraban cabe em uma frase: desligue na hora. Na prática, siga esta ordem:

  1. Não confirme dados, não digite senha e não diga códigos recebidos por SMS.
  2. Desligue, mesmo que a pessoa insista ou diga que a conta será bloqueada.
  3. Não ligue de volta para o número que apareceu na tela nem para um 0800 recebido por mensagem.
  4. Use outro telefone para ligar para o número oficial do banco, aquele do verso do cartão.
  5. Se preferir, abra o app do banco e confira extrato, limites e avisos por conta própria.
  6. Se algum dado foi passado, peça ao banco o bloqueio do cartão e a troca da senha.

Nenhuma urgência real some em cinco minutos. Se houver mesmo um problema na conta, o banco vai confirmar pelo canal oficial.

Por que ligar de outro telefone

Esse detalhe está na orientação da Febraban e tem motivo. Num dos roteiros, o golpista pede que você ligue para o número do verso do cartão, mas continua na linha. Você acha que discou para o banco, e ele simula o atendimento para pegar seus dados e a senha que você digitar.

Ligar de outro aparelho corta esse truque. Por isso a Febraban orienta: depois de desligar, pegue outro telefone e ligue para o número oficial do banco.

Origem Verificada: o selo que mostra ligação autenticada

A Anatel criou a autenticação e identificação de chamadas, conhecida como Origem Verificada. Quando a empresa usa o serviço, o celular pode mostrar o nome de quem liga, o selo de autenticação, o texto "Número Validado", o logotipo e o motivo da ligação.

Para aparecer, o aparelho precisa ter 4G ou 5G, VoLTE ativado e sistema atualizado. A Resolução nº 777, de 28 de maio de 2025, tornou a autenticação obrigatória, com prazo de até três anos para a implantação em todo o país.

Aparelho O que precisa O que aparece
Samsung com Android 14 ou superior 4G, VoLTE ativado Nome, número, selo, logomarca e motivo
Samsung com Android 10 a 13 4G, VoLTE ativado Nome, número e selo
Outros fabricantes com Android 11 ou superior 4G, VoLTE ativado Nome, número e selo
iPhone com iOS 18.2 ou superior 4G, VoLTE ativado Nome, número, logomarca; selo só no histórico
Celular 3G ou 2G Não tem VoLTE Só o número

Fonte: Anatel. A agência avisa que chamada sem selo nem sempre é fraude, porque a adoção é gradual. E o selo não muda a regra de ouro: nem numa ligação autenticada o banco pede senha. Uso indevido do sistema pode ser denunciado no portal origemverificada.com.br.

Caí no golpe: o que fazer agora

Pelas orientações do Banco Central, a velocidade conta. Quanto mais rápido o contato com o banco, maior a chance de recuperar o dinheiro:

  1. Ligue para o seu banco pelo canal oficial e relate o golpe.
  2. Se houve Pix, peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED); veja como pedir a devolução do Pix pelo MED.
  3. Bloqueie cartões, troque senhas e desinstale qualquer app que o golpista mandou instalar.
  4. Registre boletim de ocorrência com os dados do comprovante: valor, data e hora, banco e nome do recebedor.
  5. Se o banco não resolver, registre reclamação no Banco Central e procure o Procon.

O caminho completo, com polícia, banco e canais do governo, está no guia de como denunciar golpe digital.

Os sinais de alerta lado a lado

O golpista pede O banco de verdade
Senha, token ou código do SMS Nunca pede por telefone
Pix ou transferência para "conta segura" Nunca pede para mover dinheiro
Instalar um aplicativo Nunca pede instalação por ligação
Entregar o cartão a um motoboy Nunca recolhe cartão em casa
Ligar para um 0800 recebido por mensagem Atende no número do verso do cartão
Mentir para o banco se ele ligar Quer que você confirme só o que fez

Se a ligação trouxer qualquer item da coluna da esquerda, é golpe. Outra barreira útil é manter um teto baixo para transferências: veja as regras de limite do Pix de dia e à noite.

Fontes

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