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Valores a Receber do Banco Central: como consultar dinheiro esquecido

Veja como consultar no site do Banco Central se há dinheiro esquecido em bancos no seu CPF, como pedir a devolução pelo Pix e como fugir dos golpes.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges

Izabela Correa, indicada a diretora do Banco Central, responde a senadores na sabatina da Comissão de Assuntos Econômicos, em dezembro de 2024
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado / Flickr (CC BY 2.0). Foto original, CC BY 2.0

Para saber se há dinheiro esquecido em bancos no seu nome, basta consultar o Valores a Receber, do Banco Central, com CPF e data de nascimento. O serviço é gratuito e só existe em um site.

O endereço oficial é valoresareceber.bcb.gov.br, o único site do serviço, segundo o Banco Central. Qualquer outro site, aplicativo ou mensagem que prometa liberar esse dinheiro não tem ligação com o BC, que não envia links nem entra em contato para tratar do assunto.

O que é o Valores a Receber

O Sistema de Valores a Receber (SVR) reúne, em um só lugar, dinheiro que pessoas e empresas deixaram em bancos, cooperativas, consórcios e outras instituições do sistema financeiro e que ainda não foi devolvido.

Quem abastece o sistema são as próprias instituições. O Banco Central organiza a consulta, mas não guarda o dinheiro: a devolução é responsabilidade da instituição onde o valor está, segundo o próprio BC.

Que tipo de dinheiro pode estar esquecido

Segundo o Banco Central, entram no sistema os seguintes tipos de valores:

Origem do valor Exemplo do dia a dia
Conta corrente ou poupança encerrada com saldo Conta antiga que foi fechada com dinheiro dentro
Cotas de capital e sobras de cooperativa de crédito Ex-cooperado que saiu e não pediu a devolução
Recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados Parcelas a devolver de quem desistiu ou foi excluído
Tarifas cobradas indevidamente Cobrança que o banco precisa devolver
Parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas Valor pago a mais em empréstimo ou financiamento
Contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas com saldo, inclusive cartão de crédito Conta digital ou cartão encerrado com saldo
Contas encerradas em corretoras e distribuidoras com saldo Saldo parado em conta de investimento fechada
Outros recursos disponíveis para devolução Demais casos informados pelas instituições

Os valores costumam ser pequenos, mas vale a consulta de tempos em tempos, porque as instituições atualizam as informações.

Como consultar se você tem dinheiro a receber

Segundo o Banco Central e a página do serviço no gov.br, a consulta inicial não exige login:

  1. Acesse valoresareceber.bcb.gov.br digitando o endereço direto no navegador do celular.
  2. Escolha a opção de consulta.
  3. Informe o CPF e a data de nascimento. Para empresa, informe o CNPJ e a data de abertura.
  4. O sistema mostra se há ou não valores a receber.

Se houver valores, o passo seguinte, que mostra o valor exato, a origem e a instituição, exige a conta gov.br. Para ver outras informações financeiras no seu CPF, como contas e chaves Pix, a ferramenta é outra: o Registrato, que mostra contas e empréstimos no seu nome.

O que é preciso para pedir o dinheiro de volta

Para ver o valor e solicitar a devolução, a página do serviço no gov.br informa que é preciso entrar com a conta gov.br nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada.

Quem tem conta gov.br bronze precisa subir de nível antes. O caminho está explicado em como funcionam os níveis ouro, prata e bronze da conta gov.br. Com a verificação em duas etapas, o acesso pede também um código gerado no aplicativo gov.br, segundo o Banco Central.

Como pedir a devolução pelo Pix

Segundo a página do serviço no gov.br, o pedido é feito assim:

  1. Entre em valoresareceber.bcb.gov.br e faça login com a conta gov.br prata ou ouro.
  2. Veja o valor, a instituição que vai devolver e a origem do dinheiro.
  3. Escolha a opção de solicitar a devolução.
  4. Selecione uma das suas chaves Pix. Segundo o Banco Central, ela não pode ser a chave aleatória.
  5. Informe os dados pessoais pedidos.
  6. Guarde o número do protocolo. Ele serve para falar com a instituição se algo der errado.

A instituição pode devolver por TED para a conta da chave escolhida. Ela também pode entrar em contato para confirmar a sua identidade ou tirar dúvidas sobre a forma de devolução, mas nunca vai pedir a sua senha. Se ainda não tem chave cadastrada, veja os tipos de chave Pix e os cuidados ao cadastrar.

Desde maio de 2025, quem tem chave Pix CPF também pode ativar no sistema a solicitação automática: os valores das instituições que aderiram a essa função caem na conta sem pedido manual, inclusive os que surgirem depois.

Quanto tempo o banco tem para devolver

O prazo depende da forma escolhida, segundo o gov.br:

Forma de devolução Prazo
Pedido com chave Pix no sistema Até 12 dias úteis
Sem chave Pix, combinando direto com a instituição Sem prazo fixo de 12 dias úteis

Por isso, o caminho mais rápido é indicar uma chave Pix no momento do pedido.

E se eu não tiver chave Pix

Quem não tem chave Pix, ou não consegue selecionar a chave no sistema, pode falar direto com a instituição pelo telefone ou e-mail que ela informa no próprio Valores a Receber, para combinar a forma de devolução.

Nesse caso, a instituição não é obrigada a cumprir o prazo de 12 dias úteis. A alternativa indicada pelo gov.br é criar uma chave Pix no app do banco e voltar ao sistema para fazer o pedido.

Como consultar dinheiro de uma pessoa que morreu

O sistema também permite consultar valores deixados por pessoas falecidas, sem login. É preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal. Segundo o Banco Central, o caminho é este:

  1. Entre em valoresareceber.bcb.gov.br.
  2. Escolha a opção Valores a receber de pessoa falecida.
  3. Leia e aceite o Termo de Responsabilidade de consulta a dados de terceiros.
  4. Digite o CPF e a data de nascimento da pessoa falecida.

O sistema mostra a instituição, os contatos dela e a faixa do valor. Nesse caso não dá para pedir o dinheiro pelo sistema: quem tem direito precisa procurar a instituição com os documentos que ela pedir, e não há prazo definido em norma para a devolução.

Golpes com Valores a Receber: como não cair

O Valores a Receber virou isca frequente de golpe. Segundo o Banco Central, os sinais de fraude são claros:

  • O Banco Central não liga nem manda mensagem para falar de valores a receber ou confirmar dados pessoais.
  • Só a instituição que aparece na consulta pode entrar em contato, e ela nunca pede senha.
  • Nenhuma pessoa ou empresa está autorizada a atuar como intermediária na devolução.
  • Não clique em links recebidos por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram.
  • O serviço é gratuito. Qualquer pedido de pagamento é golpe, mesmo com o nome de "taxa de liberação".
  • O único site do serviço é valoresareceber.bcb.gov.br.

Link recebido por mensagem prometendo dinheiro esquecido segue o mesmo padrão do golpe do link falso por SMS. Na dúvida, digite o endereço oficial no navegador em vez de clicar.

O banco não devolveu: onde reclamar

Se o prazo passou e o dinheiro não caiu, o primeiro passo é procurar a instituição com o número do protocolo. Se o problema continuar, o Banco Central orienta a registrar reclamação:

  • no site do Banco Central, na página de reclamação contra bancos e outras instituições (bcb.gov.br/meubc/registrar_reclamacao), com a conta gov.br prata ou ouro;
  • pelo telefone 145, do Banco Central, nos dias úteis, das 8h às 18h.

Segundo o BC, a resposta da instituição pode levar até 10 dias úteis. Um pedido feito pelo sistema e não pago fica bloqueado para nova solicitação por 30 a 90 dias, conforme o tipo de instituição.

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